Compromisso antes do resultado

Pré-registros dos estudos

Cada estudo confirmatório teve hipóteses, métricas e critérios de corte declarados antes de olhar o resultado. O hash SHA-256 de cada arquivo prova que o texto não mudou depois.


arquivo: 00_PRE_REGISTRO.md · SHA-256: 4229b10e24122a1e93c9b5c2944e6390cfc088f07e4bdecfc511dda1983717d9

PRÉ-REGISTRO — MEDIÇÃO DE FAVORECIMENTO ARBITRAL NO BRASILEIRÃO

Leis & Impérios · escrito ANTES de calcular qualquer resultado

03/08/2026 · Este arquivo é congelado e seu SHA256 publicado antes da análise rodar. Qualquer mudança posterior de hipótese ou métrica invalida o estudo e deve ser declarada.


POR QUE ISTO EXISTE

Varredura na BDTD, SciELO e repositórios universitários (rodada 5, 03/08/2026) não encontrou nenhum estudo brasileiro que teste favorecimento arbitral por clube nominal, nem medição de espaço editorial por clube. A tese "o Flamengo é favorecido" nunca foi refutada porque nunca foi testada. Este é o teste.

REGRA DE OURO

As hipóteses, métricas, recorte e critérios de decisão abaixo estão fixados antes de qualquer cálculo envolvendo o Flamengo. O resultado será publicado seja qual for — inclusive se contrariar a hipótese do encomendante. Não haverá garimpo de subgrupo ("p-hacking"): se um teste der nulo, ele entra no relatório como nulo.


DADOS

GRUPO DE COMPARAÇÃO (definido antes)

A pergunta correta não é "o Flamengo difere da média da Série A" — essa média inclui clubes pequenos com elencos e estilos diferentes. O teste principal compara o Flamengo aos seus pares de porte: COORTE-PARES (12 clubes): Flamengo, Palmeiras, Corinthians, São Paulo, Grêmio, Internacional, Cruzeiro, Santos, Atlético-MG, Fluminense, Vasco, Botafogo. Reporta-se também a comparação contra todos os clubes do período, como referência secundária.


HIPÓTESES E MÉTRICAS (fixas)

H1 — LENIÊNCIA DISCIPLINAR (teste principal)

Se o Flamengo é favorecido, ele deve ser punido menos pelo que faz em campo. - Métrica: cartões amarelos recebidos ÷ faltas cometidas (taxa de cartão por falta), por clube-partida, agregada por clube. - Por que essa e não "cartões por jogo": cartões por jogo confundem arbitragem com estilo de jogo (time que falta mais leva mais cartão, sem viés algum). Dividir por faltas isola a decisão do árbitro. É a métrica padrão da literatura de viés disciplinar. - Métrica secundária: cartões vermelhos ÷ faltas. - Predição da tese: taxa do Flamengo significativamente ABAIXO da coorte-pares.

H2 — PÊNALTIS

H3 — VANTAGEM DE MANDANTE DIFERENCIAL

H4 — CARTÕES CONTRA O ADVERSÁRIO


MÉTODO ESTATÍSTICO (fixo)

  1. Cálculo por clube das métricas acima, com intervalo de confiança de 95% por bootstrap (10.000 reamostragens de clube-partidas).
  2. Teste de permutação (10.000 permutações do rótulo do clube dentro da coorte-pares) para o p-valor de cada hipótese. Sem premissa de normalidade.
  3. Modelo de regressão para H1: Poisson/binomial negativa de cartões amarelos, com log(faltas) como offset, e controles de mando de campo, temporada e efeito fixo de adversário. O coeficiente do clube é o resultado.
  4. Correção para comparações múltiplas: 4 hipóteses → limiar de significância Bonferroni α = 0,0125 (0,05/4). Resultados entre 0,0125 e 0,05 serão reportados como "sugestivos, não significativos após correção".
  5. Ranking honesto: para cada métrica será publicada a tabela COMPLETA dos 12 clubes da coorte, não apenas o Flamengo — para o leitor ver se o clube é outlier ou está no meio do pelotão.

CRITÉRIOS DE DECISÃO (fixados antes de ver o resultado)

LIMITAÇÕES ASSUMIDAS ANTES (não podem virar desculpa depois)

  1. O dataset não traz o árbitro da partida — não é possível testar escalação de árbitro nem viés por árbitro. Fica fora do escopo.
  2. Pênaltis: só os convertidos (ver H2).
  3. Faltas e cartões vêm da súmula/estatística oficial da CBF; erros de digitação da fonte não são corrigidos.
  4. "Falta cometida" não mede a GRAVIDADE da falta. Um time pode fazer faltas mais leves e legitimamente levar menos cartão. Isso é uma explicação alternativa válida e será declarada no resultado.
  5. Não há dados de lances de VAR, impedimentos anulados ou gols anulados — o "lance polêmico" não é medido aqui. Este estudo mede decisões registradas em súmula, não percepção.
  6. Correlação não é causa: mesmo um resultado significativo mostraria padrão, não intenção.

O QUE SERÁ PUBLICADO

Tabela completa dos 12 clubes em cada métrica, os p-valores, os intervalos de confiança, o código-fonte da análise e este pré-registro com seu hash. Qualquer pessoa poderá refazer.


arquivo: 00_PRE_REGISTRO_ESTUDO2_ARBITROS.md · SHA-256: be23ec30240310edccd0aa06f6a290f80b48a5c508bccb9aab2dfb7198824072

PRÉ-REGISTRO — ESTUDO 2: O ÁRBITRO

"Sabemos exatamente qual é o melhor árbitro para apitar para o Flamengo" — isso aparece nos dados?

Leis & Impérios · escrito ANTES de coletar e de calcular qualquer resultado · 04/08/2026


POR QUE ESTE SEGUNDO ESTUDO

O Estudo 1 (pré-registro 4229b10e…) testou o que está na súmula: cartões, faltas, pênaltis, mando. Concluiu que a tese não se sustenta. Mas ele tinha uma limitação declarada desde o início: o conjunto de dados não trazia o árbitro de cada partida — e é exatamente aí que mora a acusação mais concreta contra o Flamengo, a frase atribuída ao presidente do clube sobre a ferramenta RefData ("sabemos exatamente qual é o melhor árbitro para apitar para o Flamengo") e o achado societário de que a empresa que analisa árbitros divide sócios com o escritório de advocacia do clube. Este estudo fecha essa lacuna. Se existe "árbitro de estimação", ele deixa rastro estatístico.

REGRA DE OURO (idêntica ao Estudo 1)

Hipóteses, métricas, coorte, limiares e critérios de decisão estão fixados antes de coletar os dados. O resultado é publicado seja qual for. Nenhum subgrupo será garimpado depois; qualquer análise feita após ver resultados será rotulada como exploratória.


DADOS

COORTE

Os mesmos 12 clubes do Estudo 1: Flamengo, Palmeiras, Corinthians, São Paulo, Grêmio, Internacional, Cruzeiro, Santos, Atlético-MG, Fluminense, Vasco, Botafogo. Clubes com menos de 100 partidas na janela entram só nas tabelas descritivas.


HIPÓTESES

H5 — CONCENTRAÇÃO DE ESCALAÇÕES

Se um clube tem "seus" árbitros, seus jogos devem se concentrar em menos nomes do que o normal. - Métrica: índice de Herfindahl-Hirschman (HHI) da distribuição de árbitros nas partidas do clube — soma dos quadrados das participações. Secundária: participação do árbitro mais frequente e nº de árbitros distintos por 100 jogos. - Nulo: escalação aleatória. p por permutação (10.000) embaralhando, dentro de cada temporada, quais partidas pertencem a qual clube — o que preserva a carga de trabalho real de cada árbitro no ano. - Predição da tese: HHI do Flamengo acima do dos pares.

H6 — O "ÁRBITRO DE ESTIMAÇÃO"

Se existe um árbitro que rende ao clube, ele aparece como outlier. - Métrica: para cada par clube-árbitro com ≥ 10 jogos, delta = (pontos por jogo do clube com aquele árbitro) − (pontos por jogo geral do clube na janela). - Nulo: p por permutação (10.000) embaralhando quais árbitros apitaram as partidas daquele clube. - Correção obrigatória para comparações múltiplas: Benjamini-Hochberg, FDR 5%, aplicado sobre TODOS os pares testados de TODOS os 12 clubes de uma vez. Sem isso, com centenas de pares, aparecem "achados" só por acaso — e esse é o erro que todo dossiê de torcedor comete. - Predição da tese: ao menos um par Flamengo-árbitro sobrevive ao FDR com delta positivo.

H7 — DOSE-RESPOSTA

Se o clube consegue direcionar escalações, os árbitros que mais apitam para ele devem ser os que mais lhe rendem. - Métrica: correlação de Spearman, dentro de cada clube, entre (nº de jogos que o árbitro apitou para o clube) e (pontos por jogo do clube com ele), sobre árbitros com ≥ 5 jogos. - Predição da tese: correlação positiva para o Flamengo e maior que a dos pares.

H8 — VIÉS DE MANDO POR ÁRBITRO (controle de sanidade)

Verificação de que o método detecta algo quando há algo. - Métrica: dispersão entre árbitros da taxa de vitória do mandante. Se a dispersão observada não exceder a esperada por acaso, o método tem pouca sensibilidade e isso será declarado como limitação do estudo, não como prova de ausência.

LIMIARES

CRITÉRIOS DE DECISÃO (fixados antes)

LIMITAÇÕES ASSUMIDAS ANTES

  1. A escalação de árbitros NÃO é aleatória por desenho. A CBF considera região, experiência, quadro FIFA e impedimentos. Concentração pode surgir de forma inteiramente legítima — este teste mede se ela é atípica em relação aos pares, não se houve escolha.
  2. Amostras por par clube-árbitro são pequenas (10-25 jogos). Diferenças de pontos por jogo têm ruído alto; por isso o FDR.
  3. Resultado depende de muito mais do que o árbitro (elenco, momento, adversário). Um delta positivo não atribui causalidade ao árbitro.
  4. Cobertura do FBref pode ser incompleta em temporadas antigas — daí a checagem de integridade obrigatória.
  5. Este estudo mede resultado (pontos), não decisão de campo. Um árbitro pode favorecer sem que o time vença.
  6. Correlação não é intenção. Nada aqui, em nenhum cenário, prova combinação.

O QUE SERÁ PUBLICADO

Tabela dos 12 clubes em cada métrica, os p-valores, a lista de pares sobreviventes ao FDR, o código e este pré-registro com hash. Qualquer pessoa poderá refazer.


arquivo: 00_PRE_REGISTRO_ESTUDO3_VASCO.md · SHA-256: 6c7b242ae8fe952e6a6adc3d82a3954fd467a16da5db235d28689746afaa6ecf

PRÉ-REGISTRO — ESTUDO 3: VALIDAÇÃO FORA DA AMOSTRA (VASCO)

O padrão de desvantagem do Vasco se repete em dados que não foram usados para descobri-lo?

Leis & Impérios · escrito ANTES de coletar os dados de validação · 04/08/2026


O PROBLEMA QUE ESTE ESTUDO RESOLVE

No índice exploratório de 04/08 (24 clubes, 2015-2023), o Vasco apareceu como o extremo negativo (índice −1,29; p bruto = 0,010), perdendo nas duas pontas: leva mais cartão por falta que qualquer outro clube (0,172) e é o clube contra o qual os adversários menos são punidos (0,134). Esse achado tem um defeito fatal como prova: foi encontrado depois de olhar os dados, num ranking de 24 clubes, e não sobreviveu à correção para testes múltiplos (FDR 5%: zero sobreviventes). Com 24 comparações, um extremo forte é esperado por acaso. Usar essa descoberta como conclusão seria exatamente o erro que este projeto critica nos dossiês de torcida. A única forma legítima de promover um achado exploratório a achado confirmado é testá-lo em dados independentes, com a hipótese e o critério fixados antes.

AMOSTRAS

HIPÓTESES (direcionais, fixadas antes)

As predições são as mesmas direções observadas na amostra de descoberta. Não há liberdade de reinterpretação.

H9 — RIGOR COM O VASCO

H10 — LENIÊNCIA COM O ADVERSÁRIO DO VASCO

H11 — O ÍNDICE COMBINADO

CRITÉRIO DE DECISÃO (fixado antes de ver os dados)

O QUE ESTE ESTUDO NÃO PODE ESTABELECER — EM NENHUM CENÁRIO

  1. Intenção. Um padrão estatístico consistente, mesmo confirmado, não demonstra combinação, ordem, conluio ou "complô". Demonstra padrão. A palavra "complô" não pode aparecer como conclusão do estudo.
  2. Causa. Diferença de cartão por falta pode vir de gravidade das faltas, estilo de jogo, disciplina do elenco, tempo com a bola ou perfil de contratações — nenhuma dessas coisas é arbitragem. O estudo mede o padrão; a causa fica em aberto e as explicações alternativas serão listadas.
  3. Mídia. Nada aqui mede cobertura jornalística. Qualquer afirmação sobre tratamento midiático exige medição própria e separada, que não faz parte deste estudo.
  4. Cartões e faltas vêm de compilação de terceiros (FBref, a partir de dados oficiais); erros de fonte não são corrigidos.

O QUE SERÁ PUBLICADO

O resultado, seja qual for, com a tabela completa dos clubes nas temporadas de validação, este pré-registro e seu hash. Se a validação falhar, isso será dito com a mesma clareza com que seria dito se tivesse dado certo.


arquivo: 00_PRE_REGISTRO_ESTUDO4_PODER.md · SHA-256: 963dca995960a02ab42fd3e8c36891145f4cb898a07580ebc4c3e52d10dc8432

PRÉ-REGISTRO — ESTUDO 4: O DESVIO SEGUE O PODER?

Escrito ANTES de coletar os dados de poder e ANTES de qualquer cruzamento

04/08/2026 · Leis & Impérios · congelado; SHA256 publicado antes do teste rodar


DECLARAÇÃO DE HONESTIDADE (obrigatória, lida antes de tudo)

A hipótese abaixo não nasceu limpa. Ela nasceu de mim olhando a lista de 16 clubes de 2024-26 ordenada por desvio e achando que os nomes do lado positivo pareciam clubes de um bloco comercial e os do lado negativo de outro. Isso é geração de hipótese por inspeção visual — o pecado clássico. Por isso este pré-registro existe: os dados de poder (bloco, receita, torcida, cargos) ainda não foram coletados, os critérios estão fixados agora, e o resultado será publicado seja qual for. Se der nulo, entra no vídeo como nulo — e a suspeita visual entra como exemplo de armadilha.

O QUE JÁ ESTÁ ESTABELECIDO (não é objeto deste estudo)

  1. Existem 19 desvios significativos (FDR 5%) entre 180 testes, em vários clubes, nas duas eras.
  2. Força esportiva NÃO os explica: 2015-23 rho=+0,27 (p=0,17); 2024-26 rho=+0,37 (p=0,16); com controle de gols e posse, p=0,74. Vasco e Grêmio, mesma pontuação (1,21 ppj), ficam em extremos opostos.
  3. Os desvios não persistem entre eras (Spearman rho=−0,06, p=0,83; 8 de 16 clubes trocam de sinal).

A PERGUNTA

Se não é força esportiva, o desvio acompanha o poder institucional/comercial do clube?

VARIÁVEIS DE PODER (a coletar; definidas agora)

HIPÓTESES E TESTES (fixos)

CRITÉRIOS DE DECISÃO (fixados antes)

LIMITAÇÕES ASSUMIDAS ANTES

  1. n é pequeno (≈16-20 clubes). Poder estatístico baixo; um nulo aqui não prova ausência.
  2. Poder político real não é observável. Bloco, receita e torcida são proxies grosseiros de influência. Nenhum resultado deste estudo, em nenhum cenário, identifica mecanismo, decisão ou pessoa.
  3. Correlação com porte tem explicação inocente forte e documentada: clubes maiores levam mais público, e pressão de torcida sobre arbitragem é o efeito mais replicado da literatura mundial. Um resultado positivo é compatível com viés inconsciente de multidão e não é evidência de combinação.
  4. Blocos têm clubes entrando e saindo; a classificação será feita por temporada e as trocas serão declaradas.
  5. Nada aqui pode ser apresentado como prova de "política suja", conluio ou encomenda. O estudo mede associação entre desvio e porte/bloco. Intenção continua fora do alcance de qualquer dado que exista no Brasil.

arquivo: 00_PRE_REGISTRO_ESTUDO5_ESCALAS.md · SHA-256: d491a01a1fe5cb710355932d62846baba5de9c79641cb208fdb33c0c7467fb46

PRÉ-REGISTRO — ESTUDO 5: A ESCALAÇÃO DE ÁRBITROS

Quem apita para quem — e de onde vem

05/08/2026 · Leis & Impérios · escrito ANTES de coletar qualquer escala e ANTES de qualquer cálculo


POR QUE ESTE ESTUDO EXISTE

A auditoria da CBF estabeleceu dois fatos que se encaixam: 1. [FATO] A CBF publica, em cbf.com.br/a-cbf/arbitragem/escala-de-arbitragem/, a escala completa de cada partida: árbitro, dois assistentes, quarto árbitro, assessor, VAR, AVAR, AVAR2, observador de VAR — cada um com a federação (estado) de origem. 2. [FATO] Não existe regra que impeça um árbitro de apitar um clube do próprio estado. A prova é o PL 9983/2018, que propõe criá-la — e que só faz sentido se ela não existir.

Ou seja: o dado que permitiria detectar o conflito de interesse mais elementar da arbitragem é publicado pela própria CBF, há anos, e nunca foi somado. Este estudo soma.

REGRA DE OURO (idêntica aos Estudos 1-4)

Hipóteses, métricas, nulos e critérios de decisão congelados antes da coleta. O resultado é publicado seja qual for. Qualquer análise posterior é rotulada exploratória.


DADOS


HIPÓTESES

H20 — CONTERRÂNEO (principal)

Um árbitro apita partidas de clubes do seu próprio estado com frequência diferente do acaso? - Métrica: proporção de designações em que a UF do árbitro principal coincide com a UF de pelo menos um dos dois clubes. - Nulo: permutação (10.000) embaralhando quais árbitros ficam com quais partidas dentro da mesma rodada — o que preserva a carga de trabalho real de cada árbitro e o conjunto de jogos de cada rodada. - Duas predições, e as duas são achado: - Se a taxa observada for significativamente MENOR que o acaso → a CBF evita o conterrâneo na prática, sem ter regra escrita. Achado: a entidade sabe que é conflito, age como se fosse, e nunca colocou no papel — o que deixa a proteção à mercê de quem estiver no cargo. - Se for igual ou MAIOR → o conflito mais elementar da arbitragem não é gerenciado. Achado direto. - α = 0,01 (Bonferroni para as 5 hipóteses).

H21 — O VAR CONTERRÂNEO

Mesma pergunta para o VAR — que decide sem ser visto e é a função mais sensível do sistema. - Métrica e nulo idênticos aos de H20, aplicados ao oficial de função "VAR". - Racional: se houver assimetria entre o rigor com o árbitro de campo e o rigor com o VAR, ela aparece aqui.

H22 — CONCENTRAÇÃO POR CLUBE

Algum clube concentra suas partidas em menos árbitros do que o normal? - Métrica: índice Herfindahl-Hirschman (HHI) da distribuição de árbitros nas partidas de cada clube; secundárias: participação do árbitro mais frequente e nº de árbitros distintos por 100 jogos. - Nulo: mesma permutação dentro de rodada. - Correção: Benjamini-Hochberg FDR 5% sobre todos os clubes de uma vez.

H23 — QUEM PEGA OS JOGOS GRANDES

A designação para partidas de alto risco é concentrada em poucos nomes? - Definição fixada antes: "jogo grande" = confronto entre dois clubes que terminaram a temporada anterior entre os 6 primeiros, ou clássico estadual entre clubes da mesma UF. - Métrica: HHI dos árbitros nesses jogos vs. HHI nos demais; e nº de árbitros distintos que apitaram ao menos um jogo grande. - Sem predição direcional — é descritivo com teste de diferença.

H24 — CONTROLE NEGATIVO

O método acusa alguma coisa onde não deveria? - Métrica: aplicar exatamente o teste de H20 a uma característica sem relação plausível com favorecimento — a coincidência entre a UF do quarto árbitro (função sem poder de decisão em campo) e a dos clubes. - Se H24 acusar tão forte quanto H20, o achado de H20 é artefato do desenho e será reportado como tal.


CRITÉRIOS DE DECISÃO (fixados antes)

LIMITAÇÕES ASSUMIDAS ANTES

  1. A escalação não é aleatória por desenho — a CBF considera experiência, quadro FIFA, logística e impedimentos declarados. Concentração pode ter causa inteiramente legítima. O teste mede atipicidade frente ao próprio sistema, não intenção.
  2. UF do árbitro ≠ clube de coração. Um árbitro de MG não torce necessariamente para clube mineiro. A coincidência de estado é um proxy grosseiro de vínculo — e será chamada assim.
  3. Custo logístico cria pressão natural para escalar árbitro próximo — o que pode produzir conterrâneo sem qualquer viés. Essa explicação inocente é forte e será declarada; um teste de robustez por distância/região será rodado como exploratório.
  4. Este estudo mede designação, não decisão. Não afirma que o árbitro conterrâneo apitou pior ou melhor — só se ele foi escalado.
  5. Nada aqui, em nenhum cenário, prova favorecimento, combinação ou intenção.

O QUE SERÁ PUBLICADO

Tabela por clube e por UF, p-valores, o código e este pré-registro com hash. Reproduzível por qualquer pessoa a partir das próprias páginas da CBF.


arquivo: 00_DECLARACAO_EXPLORATORIA_APERTADOS.md · SHA-256: a3576d00eede917f15a8b11fe0969a13964914bb8b3a38ff233fbc984abc0736

DECLARAÇÃO DE ANÁLISE EXPLORATÓRIA — JOGOS APERTADOS

05/08/2026 · Leis & Impérios · escrito ANTES de rodar o corte

O que é isto

Um recorte pós-hoc do banco já coletado (2015-2026, Série A): só as partidas que terminaram empatadas ou com um gol de diferença. Não estava em nenhum pré-registro. Portanto:

Isto é EXPLORATÓRIO. Nenhum p-valor daqui pode ser lido como confirmação. Se algo aparecer, o destino correto é virar hipótese de um Estudo 6 pré-registrado — não manchete.

Por que rodar assim mesmo

Porque a pergunta é boa: se existe desvio de arbitragem, o lugar onde ele muda resultado é o jogo decidido por um gol. Um cartão a mais num 4x0 não altera nada; num 1x1 pode alterar tudo. O achado anterior mais próximo já existia (Vasco, jogos com dif≤1: IRR=0,731 p=0,0006), mas nunca foi rodado para todos os clubes ao mesmo tempo.

O problema metodológico que precisa ser dito antes, não depois

Condicionar no placar final é condicionar num resultado pós-tratamento — um colisor. A arbitragem pode ter causado o placar apertado (um pênalti não marcado mantém o 1x1). Selecionar a amostra por uma variável que a própria exposição influencia pode criar associação onde não há causa, e pode esconder associação onde há. Isso não invalida o exercício — invalida a leitura causal ingênua.

Mitigação adotada: o teste principal não é "o desvio existe nos apertados", é o diferencial (apertado − folgado) dentro do mesmo clube, e o controle negativo em métricas que a arbitragem não controla (escanteios, chutes). Se o diferencial aparecer só nos cartões e não no controle, o colisor puro explica menos bem.

O que será reportado

Tudo: os nulos, os clubes sem desvio, e o tamanho da amostra de cada célula. Correção Benjamini-Hochberg FDR 5% sobre todos os testes de uma vez.

Vocabulário

Vale a regra do canal: padrão ≠ intenção. Nada aqui prova favorecimento, combinação ou encomenda.