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O BRASIL, MEDIDO
Erros ficam públicos

Erratas

Quando um número já publicado aqui estiver errado, a correção entra nesta página — com data, impacto e crédito a quem apontou. A saúde do projeto se mede pelo que ele admite.

Esta página tem uma função só: quando um número já publicado aqui estiver errado, a correção aparece nela — com a data, o que mudou, o que isso altera na conclusão e quem apontou. Até 14 de agosto de 2026 não havia nenhuma; a primeira está abaixo. Correção feita durante a apuração, antes de qualquer número ir ao ar, não entra aqui: isso é o trabalho, não o registro público.

E-01 · O índice líquido escondia clubes em vez de ordená-los

Publicado em: tabelas macro por clube e era (MACRO_TOTAL.csv), coluna índice líquido, e nos textos que ordenaram clubes por ela. Data da correção: 14/08/2026. Status: corrigido. Quem apontou: a auditoria interna anti-viés do estudo do Vasco — uma das lentes tinha por tarefa exclusiva procurar erro do nosso lado, e achou este.

O que era. Nós ordenávamos os clubes por um número que era a subtração de dois outros: o quanto o adversário de um clube se afasta da média da liga em cartões, menos o quanto o próprio clube se afasta. Chamávamos isso de índice líquido e tratávamos como "quão anômalo é este clube". Estava errado, e o erro é nosso.

Por que estava errado. Uma subtração só mede anomalia quando os dois lados andam em direções opostas. Quando os dois andam para o mesmo lado — o adversário levando menos cartão e o clube levando menos cartão —, a subtração devolve algo perto de zero e o clube aparece na tabela como se nada estivesse acontecendo. Não é imprecisão: contra dois lados deslocados igualmente, o índice tem exatamente a mesma chance de acusar que teria sob puro acaso, por maior que seja o deslocamento. É poder zero numa direção inteira do espaço, demonstrável no papel antes de qualquer dado.

O que muda. Refizemos o cálculo do zero, com a correlação entre os dois lados estimada do próprio modelo (ρ = 0,188). Em 20 células de clube-era-métrica o índice escondia um componente individualmente significativo. O caso mais extremo não é o mais falado: é o América-MG na era 2015–23, cujos dois lados caíram juntos e que o índice devolvia do lado errado da lista. Na era 2024–26 os dois casos são o Corinthians, com os dois lados acima da liga, e o Vasco da Gama, com os dois abaixo: o índice o punha em 11º–12º de 24 — meio de tabela — e pelos agregados corretos ele vai ao topo da lista descritiva.

A regra editorial nova. Nenhum ranking deste site pode ser ordenado por uma diferença de dois z sem que a mesma página mostre os dois z. As tabelas passam a ser ordenadas por uma medida de distância sem direção cega, com controle de falsas descobertas, e o índice líquido continua publicado — corrigido de escala e renomeado para o que de fato mede: assimetria entre os dois lados.

O que esta errata não faz. Não transforma nenhum desses clubes em caso provado de nada. Corrigir o ordenador muda quem aparece no alto da lista de padrões a investigar; não muda o que as demais lentes estabeleceram — que, com o número de jogos disponível e a heterogeneidade genuína entre clubes brasileiros, estes são padrões descritivos bem medidos, não evidência sobre conduta de arbitragem. Padrão ≠ intenção, inclusive quando o padrão fica maior depois da correção. O que a correção significa para o clube afetado está na peça O único clube que quebra a física do cartão.

Uma métrica abolida

Contagem de "decisões do VAR" por clube foi descartada como medida de favorecimento: o número não diz se a decisão foi correta, e o time que ataca mais gera mais lances revisáveis. A regra está no Método e vale para qualquer métrica que pareça medir uma coisa e meça outra.

Limitações declaradas

Nenhum estudo sai daqui sem os próprios limites escritos junto, no "porão" ao final do texto. Na arbitragem: condicionar no placar final cria viés de colisor — por isso os exercícios sobre "jogos apertados" são exploratórios; controlar por pontos é potencialmente circular quando o próprio apito afeta os pontos, então publicamos as duas versões do cálculo; a janela de portões fechados é aproximada; e cartão vermelho é raro demais para leitura clube a clube. Na auditoria do IPCA: a bateria só enxergaria manipulação sustentada acima de ~1,2–1,7 p.p. ao ano, e um dos testes foi descartado por reprovar no controle. "Não achamos" nunca significa "não existe".

No dia em que esta página crescer, é sinal de que a régua está funcionando.